A Greve Feminista baseia-se em 4 pilares principais:

  1. Pilar do Trabalho Assalariado
  2. Pilar dos Cuidados/Trabalho Invisível
  3. Pilar do Consumo
  4. Pilar Estudantil

  1. Pilar do Trabalho Assalariado
    Somos as mais precárias, somos o maior contingente a ganhar o salário mínimo e, em média, por trabalho igual ou equivalente recebemos menos 14,4% do que os homens. A somar à nossa precariedade na vida, a crise atual atacou os sectores onde somos a maioria – 90% dos empregos destruídos durante os primeiros meses da pandemia eram postos de trabalho ocupados por mulheres.
    O impacto da crise que vivemos hoje é enorme e as mulheres continuam a estar na linha da frente na mitigação dos seus efeitos.
  2. Pilar dos Cuidados/Trabalho Invisível
    As mulheres têm a conhecida “dupla jornada”, por vezes “tripla, quádrupla…”. Além de sermos as mais precárias, em média trabalhamos 4h30 por dia em tarefas domésticas e do cuidado – desde a preparação de refeições, à limpeza da casa, ao cuidado de crianças e adultes – o que se traduz em 3 meses anuais de trabalho gratuito, completamente ignorado
    e invisibilizado.
    Por isso, continuamos a lutar por uma justa divisão de responsabilidades, a socialização dos cuidados e o reconhecimento destes como trabalho.
  3. Pilar do Consumo
    O sistema em que vivemos estrutura a sociedade segundo uma lógica de consumo, que perpetua padrões de beleza, alimenta estereótipos de género e reproduz uma cultura machista que objetifica a mulher. É este mesmo sistema que está na base da crise climática e na exploração desenfreada dos recursos, estando, mais uma vez, as mulheres entre os grupos mais vulneráveis e afetados pelas alterações climáticas.
    Não existe reforma possível, a luta feminista e pela justiça climática exigem o fim do capitalismo.
  4. Pilar Estudantil
    Os locais de ensino estão longe de serem os espaços democráticos que deveriam ser, são lugares que perpetuam o machismo, a LGBTQ+ fobia, o racismo e todas as outras opressões que existem na sociedade atual. Somos constantemente vítimas de um sistema que nos oprime enquanto estudantes, apagadas por uma academia machista que nos exclui dos currículos e das salas de aula.
    Não baixamos a voz e os braços perante as desigualdades e injustiças de que somos vítimas, continuamos a lutar por um ensino verdadeiramente democrático.

    Se nós paramos, o mundo pára.
    Junta-te na luta! Junta-te à Greve Feminista 2021

Texto d’A Coletiva