As nossas escolas e faculdades continuam a ser espaços onde sentimos a violência  das opressões da sociedade capitalista e patriarcal. Estes espaços negam a nossa existência, a nossa experiência, e as nossas capacidades intelectuais. Somos invisibilizadas na história, como se não fizéssemos parte da sua composição. Somos silenciadas por reitorias, professores, narrativas e ideologias. Somos alvo de assédio, racismo e descriminação.     

O machismo existe dentro das paredes da nossa academia. Existe dentro das salas de aula, nos corredores. Nos livros, nos autores. É exercido por alunos e professores. O machismo tem classe e cor. A propina e a falta de bolsas de estudo são fatores que nos afastam do ensino, e que nos obrigam tantas vezes a realizar uma tripla jornada (trabalho + estudo + tarefas domésticas).

Enquanto estudantes exigimos o fim da reprodução de mecanismos de desigualdade nas nossas instituições. Exigimos um ensino que nos sirva, inclusivo, longe de preconceitos e “pré requisitos”. Exigimos o fim de espaços racistas, machistas, lgbtqfóbicos e elitistas como os que existem agora.  Exigimos a destruição das estruturas que nos impedem de construir dentro de espaços que são nossos. 

Somos donas do nosso corpo, temos direito à nossa sexualidade, queremos espaço, dignidade e liberdade. Somos estudantes e queremos construir um espaço para todes. Não vamos continuar a ser oprimidas, e levantamo-nos contra as violências que somos vítimas diariamente. O ensino em Portugal é machista, racista e lgbtqfóbico. A Brigada Estudantil continua a lutar pelo ensino que desejamos e merecemos – um ensino público, inclusivo e livre. 

Texto da Brigada Estudantil