“Numa sociedade racista não basta não ser racista, é preciso ser anti-racista”, disse Angela Davis. Um raciocínio semelhante poderá ser transposto para outras dimensões da sociedade que continuam a limitar e a constituir constrangimentos para as nossas vidas. Digamos que faz sentido afirmar que numa sociedade patriarcal não é suficiente não ser machista, é mesmo preciso ser feminista. É urgente que nos empenhemos, dia-a-dia, contextos a contexto, na garantia dos direitos de todas as pessoas, independentemente das suas características físicas ou orientação sexual, mas também da sua condição económica, das suas origens geográficas ou étnico-raciais, escolhas de vida ou qualquer outro fator.

Vivemos num sistema estruturalmente desigual, no qual características como o nosso sexo ou a nossa cor de pele ainda interferem com as oportunidades que vamos tendo ao longo da vida e com a garantia dos nossos direitos. Desta interrelação entre fatores que potenciam a discriminação resultam evidências de que ser uma mulher é, por si só, fator de discriminação (nas oportunidades de progressão no trabalho, ao nível das remunerações, nas responsabilidades familiares, na pressão permanente para a maternidade, na objetificação dos nossos corpos, na maior vulnerabilidade à violência sexual, entre tantas outras), mas tudo isto se torna mais expressivo quando falamos de mulheres racializadas.

Sabemos que a persistência de barreiras na arquitetura do nosso pensamento, que fundamentou e serviu a agenda colonial, continuam ainda hoje a permitir que se dividam as pessoas em grupos e em categorias, resvalando ainda, e não raras vezes, em barreiras objetivas e subjetivas que nos condicionam e limitam. Negar o racismo e o sexismo hoje, inclusive através do argumento de que não se vêem diferenças e de que falar nessas diferenças acicata o que se pretende combater, é uma forma de contribuir para que nada mude, para que as feridas de centenas de anos de colonialismo patriarcal não sejam saradas, e para que não se possa construir um futuro diferente, liberto destas amarras e de ideários coloniais de homens brancos violentos, bravos e dominadores, incrivelmente ultrapassadas! 

Todos crescemos e vivemos num contexto e numa sociedade e nós, no SOS Racismo, assumimos a responsabilidade e a oportunidade de a transformar, tendo como objetivo um futuro melhor e mais promissor para todos e todas! Contamos convosco?

Texto do SOS Racismo